quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Assalto a mão armada
Pois é, entrei pras estatísticas. Me sentia tão especial e privilegiada por nunca ter passado por esse trauma tão comum hoje em qualquer cidade, em qualquer bairro, em qualquer rua desse país tão maravilhoso e ao mesmo tempo tão desgraçado. Eu e minha filha. Thanks God os caras não queriam mulher, só carro e bolsas. Ficamos ali as duas totalmente desnorteadas vendo nosso carro ser levado por um vagabundo armado com uma pistola preta que eu só tinha visto em filme de James Bond. Minha filha chorando desesperada e eu em choque sem os meus dois celulares que estavam na bolsa junto com todas aquelas coisas queridas que toda mulher carrega pra cima e pra baixo. Minha filha perdeu a bolsa com um celular de última geração que ela tanto queria e ganhou. Com todas as fotos dos amigos, das baladas, enfim, lembranças que não vão poder mais ser recuperadas. No meu caso não dei tanta importância pra isso pq não sou mais criança, não sinto ter perdido meu iPod, uma caneta Montblanc de estimação, meu batom, meu perfume, meus 3 óculos, 1 na bolsa, 2 no carro, minha bolsa maravilhosa e carteira idem com todos os cartões imagináveis dentro. Inclusive os da Unimed. Tudo devidamente bloqueado, é claro. Meu adoçante, meu colírio, minha lixa de unhas, minha escova, meu rímel... Não, não sinto tanto por isso. Sinto mesmo por termos sido invadidas, violentadas, termos tido nossas coisas tão queridas arrancadas de uma forma irracional. Quem tem o direito de virar vidas de cabeça pra baixo. De deixar alguém deprimido às vésperas do Natal. Sem cartões, sem ilusões, sem mais esperanças. Não é mole não. Sei que muita gente pode dizer -"ainda bem que não aconteceu nada pior." Pior? Só se tivessem nos matado. Mas mesmo que isso não tenha acontecido, graças aos nossos anjos da guarda que sei bem quem são, ainda assim acho que temos o direito de sofrer e lamentar. Se formos pensar que sempre tem alguém em pior situação, nunca teremos o direito de sofrer por nada. Um sofrimento é único e incomparável. Ninguém pode saber. Só quem sofreu.
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